UE sobre Ceuta. Ministros elogiam gestão espanhola e anunciam reforço das fronteiras

UE sobre Ceuta. Ministros elogiam gestão espanhola e anunciam reforço das fronteiras

Número de mortos indicado por Madrid subiu para 75, após terem sido encontrados mais três corpos, um anúncio de Espanha, no final da reunião de emergência dos ministros da Administração Interna da União Europeia, organizada após milhares de imigrantes terem entrado na cidade de Ceuta.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Ministro da Administração Interna de Espanha, Fernando Grande-Marlaska Foto: Fernando Grande-Marlaska - Reuters

O ministro do Interior espanhol garantiu que os parceiros europeus reconheceram a resposta "eficaz" de Madrid à crise e manifestaram total solidariedade para com Espanha.
 

Os 27 comprometeram-se ainda a reforçar as fronteiras externas da União Europeia, os mecanismos de regresso de migrantes em situação irregular e o combate às redes de tráfico humano.

Fernando Grande-Marlaska adiantou que mais de 72 mil pessoas entraram em Ceuta nos últimos dias e que cerca de 70 mil já regressaram a Marrocos.

Espanha sublinhou que espaço Schengen não foi colocado em causa, apesar da dimensão da crise, destacando o político recebido dos parceiros europeus, A Comissão Europeia afasta uma ligação direta entre a regularização extraordinária de imigrantes em Espanha e a crise migratória em Ceuta.

No final da reunião dos ministros da Administração Interna da União Europeia, o comissário europeu para as Migrações, Magnus Brunner, garantiu que o tema não motivou críticas a Madrid.

Ainda assim, admitiu que a regularização de cerca de um milhão de imigrantes "não é um bom sinal para a Europa".
O que diz e vai fazer, Portugal

O Governo português considerou a situação em Ceuta "extremamente grave" e garantiu que está disponível para adotar medidas adicionais de proteção das fronteiras. Portugal lamentou também a perda de vidas na crise migratória.

Luís Montenegro defendeu uma política de imigração com regras e integração.

O primeiro-ministro criticou aquilo que considera ser a falta de regulação dos fluxos migratórios nalguns países e rejeita políticas que atraem migrantes sem que haja condições para os acolher.

O chefe do Governo assegurou que Portugal está a seguir um caminho de integração através do acesso ao trabalho, habitação, saúde, educação e mobilidade.

Em comunicado, o Ministério da Administração Interna de Portugal defendeu por seu lado uma resposta europeia assente na unidade, firmeza e responsabilidade.

Luís Neves sublinhou ainda a necessidade de acelerar a aplicação do Pacto Europeu para as Migrações e o Asilo e de reforçar a cooperação com os países de origem e trânsito dos migrantes.

Segundo o Governo, Portugal já reforçou a vigilância da fronteira marítima sul, mas admite avançar com novas medidas caso a situação o justifique.
Famílias buscam por filhos desaparecidos

A França, através do seu ministro do Interior, deixou uma mensagem de apoio a Espanha.

Laurent Nuñez revelou que todos os Estados-membros manifestaram solidariedade e elogiaram a gestão da crise migratória.

O ministro francês garantiu ainda que a França está pronta para ajudar as autoridades espanholas.

Pelo menos 44 pessoas estão desaparecidas depois de terem tentado chegar a nado ao enclave espanhol de Ceuta.

Segundo as autoridades espanholas, são quase todos jovens e menores de idade, procurados pelas famílias desde o fim de semana.

Perante o aumento dos relatos, a Guarda Civil abriu um gabinete especial em Ceuta para receber denúncias de desaparecimento de migrantes.

Nas redes sociais multiplicam-se os apelos e fotografias de jovens dados como desaparecidos, enquanto familiares se deslocam à fronteira em busca de informações sobre o paradeiro dos filhos.
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